El Guerreiro Atlántico. Símbolos de poder?

 

Resultado de uma parceria entre o MARQ – Museu Arqueológico de Alicante, a Fundação C.V. MARQ e Museu Nacional de Arqueologia de Portugal, a exposição O Guerreiro Atlântico: Símbolos de Poder?inaugurada no dia 18 de maio de 2022 – oferece-nos a oportunidade de contemplar três tesouros nacionais portugueses, os máximos representantes da famosa Cultura Castreja, que, ao longo de quase um milénio, se desenvolveu no noroeste da península, entre o que é hoje a Galiza, a parte ocidental das Astúrias e o norte de Portugal.

Patente na Biblioteca do MARQ - Museo Arqueológico de Alicante, até outubro de 2022, esta exposição, dá continuidade à parceria iniciada com a exposição Ídolos. Olhares Milenares / Ídolos. Miradas Milenares / Idols Millenial Gazes com a cedência de peças do Museu Nacional de Arqueologia, designadamente a estátua de Guerreiro Calaico de Outeiro Lezenho (Nº. Invº. E 3398), o Berrão de Cabanas de Baixo (Nº. Invº. E 5246) e o Torques de Vilas Boas (Nº. Invº. Au 567). Lembramos que o Museu Nacional de Arqueologia encontra-se encerrado para a preparação da obra de remodelação integral no âmbito do PRR.

 

   

Sobre o Guerreiro Calaico:

Escultura monolítica de granito, figurando um guerreiro em posição hierática. Os respetivos atributos inserem-se numa tradição artefactual de cariz indígena: pequeno escudo redondo e plano com "omphalos" central "caetra"; punhal triangular ou espada curta com pomo discoidal; "viria" de dois toros no braço direito; torques com aro aberto espessado nos terminais; "sagum" com decote em ângulo e manga curta, cingido por cinturão. A cabeça é proporcionada, exibindo um cabelo curto que deixa livres as orelhas, barba e bigode. (...). Este tipo de escultura tem vindo ultimamente a ganhar novo protagonismo na investigação devido à ligação que evidentemente têm com estátuas do centro da Europa, pertencentes à escultura monumental celta, evidenciando assim conexões através de toda a Europa em época precoce.

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Para saber mais: Estátua de Guerreiro Calaico

 


 

Sobre o Berrão:

Escultura monolítica representando um porco, em granito. Corpo curto e atarracado, muito mutilado quer nos membros, de que restam apenas pequenas porções, quer na ponta do focinho. Apresenta espinhaço ou crista raquidiana muito larga, a todo o comprimento do dorso, com uma depressão em curvatura. As orelhas são diferenciadas: a da esquerda é saliente e foi parcialmente quebrada e a da direita é formada por cordão saliente elíptico. Apresenta ânus assinalado, em nítida e polida covinha cónica; por cima deste uma cauda enrolada e retorcida como é frequente nos porcos. Esta escultura representa um espécime masculino, como o demonstra a representação das bolsas testiculares, embora parcialmente mutiladas.

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 Para saber mais: Berrão

 


 

Sobre o Torques de Vilas Boas:

Torques de ouro de aro tripartido e terminais em dupla escócia com decoração. Aro tripartido dividido em três segmentos, um médio e dois terminais, intercalados por duas pequenas gaiolas feitas de dois arames consistentes, dobrados um deles em meandro e outro em ziguezague, e sobrepostos, entrecruzando-se de modo a não permitir a saída de uma esfera que se move livremente no seu interior. O aro é tubular e de secção quadrangular regular com as faces externas planas e decoradas e as internas percorridas por profunda canelura feita a repuxado. O segmento central apresenta as faces externas totalmente ornamentadas a filigrana com um motivo decorativo constituído por dois fios duplos que se entrecruzam enlaçando esférulas dispostas em alinhamentos nas sucessivas dobras e formando losangos na sua zona média preenchendo todo o campo decorativo limitado perifericamente por filetes em corda.

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 Para saber mais: Torques de Vilas Boas

 


 





Côa & Siega Verde: Arte sem limites

 

A exposição internacional Côa e Siega Verde: Arte sem limites, encontrar-se-á em exibição no Museu de Arte Popular, em Lisboa, entre 14 de julho e 23 de outubro de 2022, sendo posteriormente apresentada no Museo Arqueológico Nacional de Madrid, onde se encontrará entre novembro e fevereiro de 2023.

Trata-se de uma exposição organizada pela Junta de Castilla y León e pela Fundação Côa Parque, no âmbito do projeto Paleoarte, e tem como objetivo divulgar a arte paleolítica ao ar livre dos sítios de Siega Verde (Espanha) e do Vale do Côa (Portugal), o único bem material transfronteiriço da Europa que se encontra inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO.

Pretende-se com esta exposição não só sensibilizar o público para as formas mais antigas de expressão artística da humanidade, como também combater a ideia, ainda muito difundida, de que estas imagens só eram produzidas no interior de cavernas e abrigos. De facto, hoje temos muitas evidências que nos asseguram que as imagens do Paleolítico Superior terão sido muito mais comuns ao ar livre que no interior de grutas e abrigos, mas a maior parte das primeiras ter-se-á perdido, ao contrário das segundas que se terão conservado melhor por estarem protegidas da intempérie. Acontece que as condições especiais do Vale do Côa e Siega Verde, designadamente a sua geologia, permitiram a conservação da arte paleolítica ao ar livre até aos nossos dias. Estes sítios constituem-se assim como raríssimos testemunhos de uma variante particular – a arte ao ar livre – de uma tradição artística europeia vigente entre, pelo menos, os 42.000 anos e os 12.000 anos atrás (a arte do Paleolítico Superior europeu).

As bases sobre as quais se alicerça esta exposição correspondem aos resultados da investigação que várias equipas, essencialmente portuguesas e espanholas, têm vindo a desenvolver na região desde há cerca de 30 anos.

Ao longo do seu percurso, o visitante encontrará peças originais, réplicas e reconstituições, assim como diversa informação textual e gráfica, aparecendo esta na forma de desenhos, fotos, vídeos e até de hologramas. A exposição é ainda pontuada por diversos elementos expositivos de carácter interativo que pretendem contribuir para uma melhor compreensão dos conteúdos apresentados.

A exposição é comissariada por Thierry Aubry, André Tomás Santos (Fundação Côa Parque), Javier Fernández Moreno e Cristina Vega Maeso (Junta de Castilla y León), igualmente editores de um livro-guia que contará com a participação outros 12 investigadores, portugueses e espanhóis.

 

 Programa Educativo:

Para além de visitas guiadas em Português, Inglês e Espanhol, o programa educativo da exposição integra oficinas de pintura dedicadas a famílias com crianças e peddy-papers dirigidos ao público escolar, para além de outras atividades, asseguradas pela equipa do serviço educativo do Museu Nacional de Arqueologia.

 

Consulte AQUI o Programa Educativo da Exposição.

 

 Horário de Visita:

   A exposição Côa e Siega Verde: Arte sem limites encontra-se acessível no horário normal de visita do Museu de Arte Popular, a saber:

   Quarta-feira a Sexta-Feira: das 10h00 às 18h00

   Sábados e Domingos: das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00

 


 





Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa.



Entrar num bosque, rico de árvores seculares e gigantescas, onde a grandeza dos vegetais causa espanto, e as próprias sombras infundem mistério, era para os antigos (...) fonte de sentimento religioso.

 

Leite de Vasconcellos, 1905, p.108 


 

O fenómeno religioso, na sua historicidade, tem sido alvo de múltiplas abordagens interpretativas. Recorde-se Frazer e a abrangência comparativista; Lévi-Strauss e os arquétipos estruturalistas; Dumézil e os esquemas funcionalistas; Eliade e a universalidade do simbólico. Porém, nada mais genial do que a breve metáfora engendrada pelo inglês Murray, desde logo adotada e desenvolvida por Dodds no seu irreverente estudo sobre a cultura grega e o irracional: o fenómeno religioso revela-se, em todas as épocas e regiões, como um “conglomerado herdado”. E comenta Dodds: “A metáfora geológica é feliz porque o crescimento religioso é (...) a aglomeração mais do que a substituição”. Por isso, quando hoje estudamos as religiões do passado, não procuramos apenas conhecer melhor as nossas longínquas raízes culturais, antes lidamos com qualquer coisa ainda presente – embora de forma parcelar e, por vezes, subjetiva – na nossa atual vivência como Homo religiosus que (queiramos ou não...) todos somos.


Daí, o inusitado e sempre crescente interesse que desperta, no grande público, a abordagem destes temas. Daí, o esperado êxito da [...] exposição promovida pelo Museu Nacional de Arqueologia, no virar dos milénios, sobre as Religiões da Lusitânia.


Hispania Aeterna e Roma Aeterna. Duas tradições que convergem e se sincretizam por força da Pax Romana. Mas que o Oriente, donde sempre vem a Luz, acaba por “converter”... E o “aglomerado” vai-se avolumando, encobrindo ou evidenciando aqui e além alguns dos seus componentes, mas nada perdendo, tudo armazenando. São forças secretas da Natureza, numina tutelares, divindades várias, heróis deificados, práticas rituais e mágicas, a Vida e a Morte. São textos obscuros, que é preciso decifrar para ler, são objetos e imagens de um passado duas vezes milenar que, após descodificados, se vêm a revelar bem mais presentes do que suporíamos. Será o Tempo uma quimera?


Um nome, por detrás de tudo isto: Leite de Vasconcellos, o grande investigador que, há cem anos, pela primeira vez estudou exaustiva e metodicamente as Religiões da Lusitânia. Uma homenagem? Sem dúvida! Mas, certamente, muito mais do que isso...

José Cardim Ribeiro


 


Datas: 27 de junho de 2002 > 18 de abril de 2022Local no MNA: Galeria Oriental | Organização institucional: Museu Nacional de Arqueologia | Comissariado científico: José Cardim Ribeiro | Tipo de exposição: síntese nacional