Um encontro artístico com a arte pré-histórica

 

Datas: 23 de fevereiro de 2018 a maio de 2018.

Local no MNA: Corredor e receção2.

Organização institucional: Irène Dacunha / Museu Nacional de Arqueologia.

Tipo de exposição: de artista.

 

Inspirada pela arte rupestre europeia, entre a qual se encontram as gravuras rupestres do Côa, a artista apresenta-nos uma série de pinturas da sua autoria. No entanto, destaca-se uma lanterna que num espaço escuro, como uma caverna, tenta recriar as condições em que aquelas obras seriam elaboradas e admiradas.

 





LOULÉ. Territórios, Memórias e Identidades

 

 

Datas: 21 de junho de 2017 a 30 de dezembro de 2018

Local no MNA: Galeria poente

Organização institucional: Museu Nacional de Arqueologia, Museu Municipal de Loulé / Câmara Municipal de Loulé

Comissariado científico: Victor S. Gonçalves, Amílcar Guerra, Catarina Viegas, Helena Catarino e Luís Oliveira

Tipo de exposição: Monográfica

 

Razões de ser de uma exposição
 

Loulé, no sul de Portugal, é o mais extenso concelho do Algarve, que cruza de norte a sul e da serra ao mar. Dotado de bons recursos naturais, foi habitado pelo Homem ao longo dos tempos.

A história da Arqueologia de Loulé remonta ao trabalho pioneiro de Estácio da Veiga (1828-1891), que reuniu uma coleção para constituir o Museu Arqueológico do Algarve, mas que foi incorporada no então Museu Etnográfico Português em 1894. Assim, o património de Loulé ficou para sempre ligado ao Museu Nacional de Arqueologia.

Entre o século XX e o presente, a Arqueologia foi uma prática amadurecida no território louletano e no seu museu, pela ação de vários arqueólogos envolvidos nesta exposição.

São estas as razões que unem o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu Municipal de Loulé na organização desta mostra, inscrita numa linha de colaboração prosseguida pelo Museu Nacional com as autarquias há duas décadas.

Esta exposição assume-se como o estado da Arte da investigação arqueológica do concelho de Loulé e conta a história das comunidades que o constituíram entre a Pré-História e a Idade Média, assente nos vestígios arqueológicos e nas fontes documentais conservados nas instituições que laboriosamente constroem as memórias e as identidades de Loulé.

 

 

 

 

 





Um Museu, tantas coleções ! Testemunhos da Escravatura. Memória Africana

Datas: 22 de abril de 2017 a 30 de  maio de 2018

Local no MNA: Galeria Nascente

Coordenação geral: António Carvalho.

Comissariado científico: Ana Isabel Palma Santos e Lívia Cristina Coito

O Museu Nacional de Arqueologia integra o projeto Testemunhos da Escravatura. Memória Africana, iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, realizada no âmbito de Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017 organizando a exposição que agora se apresenta.

Projeto motivador que conduziu à revisão e reapreciação de Coleções menos conhecidas deste Museu que sendo agora Nacional de Arqueologia começou a sua história como Museu Etnográfico Português. A diversidade de Bens Culturais de diferentes características e tipologias que este “Museu do Homem Português” encerra, está contido no título escolhido para esta exposição “Um Museu. Tantas Coleções!”

Este pequeno espaço expositivo contém, documenta e ilustra uma História de Longa Duração, que começa com os Testemunhos da Escravatura em Época Romana, quer com a primeira vitrina desta exposição, quer com as 8 peças assinaladas ao longo da Galeria Principal e da sua exposição “Religiões da Lusitânia” e que chega até às primeiras décadas do século XX nas restantes vitrinas.

Apresenta Coleções Portuguesas tematicamente organizadas e Coleções Africanas, que fizeram parte da Antiga Secção Ultramarina deste Museu e ainda um rico fundo documental e iconográfico.

Informação mais detalhada está disponível no site: www.testemunhosdaescravatura.pt criado para este projeto pelo Gabinete de Estudos Olisiponenses, apresentando a programação dos diversos equipamentos culturais da Cidade de Lisboa que aderiram a esta iniciativa.

 

 

 

 

 

 





Lusitânia dos Flávios. A propósito de Estácio e das Silvas

Últimos dias

 

Datas: 17 de março de 2017 a 27 de maio de 2018

Local no MNA: Átrio do MNA

Organização institucional: Museu Nacional de Arqueologia, Centro de Estudos Clássicos e UNIARQ-Centro de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Comissariado científico: António Carvalho. Diretor do Museu Nacional de Arqueologia, Carlos Fabião. Diretor da UNIARQ – Centro de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; Ana Loio. Investigadora do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Catarina Viegas, Investigadora da UNIARQ - Centro de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

 

Com o anúncio da realização na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa do Seminário Internacional de filologia “Editing and Commenting on the Silvae” organizado pelo Centro de Estudos Clássicos, estava criado o pretexto para realizar, conjuntamente, uma exposição-dossiê no Museu Nacional de Arqueologia que cruzasse a nossa leitura dos cinco livros em verso, as Silvas de Estácio (45-c.95), com os vestígios materiais recolhidos em território nacional que remetem para o tempo da Dinastia Flávia – que agrupa Vespasiano, Tito e Domiciano -, e que reinou em Roma e em todo o Império entre 69 e 96 d.C.

No tempo dos imperadores Flávios (Vespasiano, Tito, Domiciano), no tempo da arrasadora erupção do Vesúvio (79 d.C.), quando Roma era senhora do mundo, viveu o napolitano Estácio. Quis ser, como Vergílio fora no Século de Augusto (I a.C.), o grande poeta do seu tempo. Depois da monumental Tebaida, teve a ousadia de enfrentar Homero ao compor a inacabada (e genial) Aquileida. Entretanto, tomava forma a obra mais surpreendente, diversa de tudo o que havia sido escrito até então: as Silvas. De teor vincadamente panegírico, os poemas assinalam momentos relevantes da vida pública e familiar dos patronos de Estácio, recorrendo às mais invulgares e originais manobras literárias. Os homenageados são figuras endinheiradas de Nápoles e nada menos que o próprio imperador Domiciano, celebrados pelas suas qualidades intelectuais e artísticas e pelo esplendor das suas magníficas villae, descritas – tal o Palácio de Domiciano, no coração de Roma – como moradas quase divinas.

Nas Silvas, a necessidade de homenagear confunde-se com o princípio estético do contraste entre o gigantesco e o minúsculo – e este reflete-se na poesia como nos trinta metros de altura do palácio de Domiciano, na colossal estátua equestre do imperador, ou no formato mínimo da brilhante estatueta de Hércules, na posse de um patrono. Fascinante documento da cultura material do século I d.C., as Silvas celebram técnicas e materiais de construção, ambientes de luxo (quantas villae na fabulosa Baía de Nápoles!), preciosos objetos de arte (como o Hércules de Vindex); e, ao celebrarem o temível Domiciano – “senhor e deus”, um “Hércules” fascinado pelo Egito – as Silvas ajustam-se à dura realidade política que se impunha. Sob a forma de objetos resgatados ao passado, as Silvas de Estácio regressam hoje a um dos rios que imortalizaram: o Tejo de esplendoroso limo.

Assim nasceu o conceito. A exposição construiu-se então a partir de uma seleção de bens arqueológicos das reservas do Museu Nacional de Arqueologia, do Museu da Fundação Cidade da AMMAIA, do Museu de Sines e da Solubema - Empresa Transformadora de Mármores do Alentejo. O corpus da exposição é constituído por 27 peças arqueológicas que, de alguma forma, coincidem cronologicamente com o período dos Flávios. Nem todas, porém, coexistem com esta dinastia nesse curto espaço de 27 anos.

Perante a fonte, desafiámo-nos a tornar tangíveis as palavras, escolhendo os materiais que a pudessem materializar, ilustrar e valorizar, mantendo e alimentando o fio condutor criado.

A relação desta dinastia com a comprovada renovação urbanística das cidades da Lusitânia não foi esquecida na exposição. Tal é sinalizado, designadamente, pela apresentação do togado inacabado proveniente da pedreira romana da Herdade da Vigária (Vila Viçosa), que assim se apresenta pela primeira vez, em Portugal, no lugar certo – ou seja, em ambiente museológico.

Da reserva do Museu Nacional de Arqueologia emerge um conjunto de peças que nos últimos anos não têm estado à vista de todos, e que assim se valorizam, ao mesmo tempo que permitem ao público aperceber-se da dimensão, variedade e importância das coleções do Museu.

Da cidade Romana da AMMAIA vem também um pequeno bronze figurativo de um Hércules, com feições de jovem, e que foi recentemente exumado nas escavações arqueológicas em curso.

Do Museu de Sines junta-se um conjunto de moedas da coleção reunida por José Miguel da Costa.

A exposição oferece, pois, ao visitante, como uma linha condutora, o universo temporal e material do tempo dos Flávios corporizado na temática das Silvas.

Palavras de agradecimento são devidas a um conjunto de entidades que, correspondendo ao desafio lançado pelo Museu Nacional de Arqueologia e pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa se associaram para levar a bom termo uma ideia. À Fundação Cidade de AMMAIA, à Câmara Municipal de Sines/Museu Municipal de Sines, e à Solubema, entidades emprestadoras que cederam bens arqueológicos. À Lusitania Seguros, mecenas institucional da Direção-Geral do Património Cultural, que garante os seguros dos bens. À Associação Portuguesa de Controladores de Tráfego Aéreo e ao Sindicato Nacional dos Controladores de Tráfego Aéreo pelo patrocínio dado à exposição.

 

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Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa.

 

Datas: 27 de junho de 2002 a 30 de dezembro de 2018

Local no MNA: Galeria Oriental

Organização institucional: Museu Nacional de Arqueologia

Comissariado científico: José Cardim Ribeiro

Tipo de exposição: Síntese nacional

 

O fenómeno religioso, na sua historicidade, tem sido alvo de múltiplas abordagens interpretativas. Recorde-se Frazer e a abrangência comparativista; Lévi-Strauss e os arquétipos estruturalistas; Dumézil e os esquemas funcionalistas; Eliade e a universalidade do simbólico. Porém, nada mais genial do que a breve metáfora engendrada pelo inglês Murray, desde logo adotada e desenvolvida por Dodds no seu irreverente estudo sobre a cultura grega e o irracional: o fenómeno religioso revela-se, em todas as épocas e regiões, como um “conglomerado herdado”. E comenta Dodds: “A metáfora geológica é feliz porque o crescimento religioso é (...) a aglomeração mais do que a substituição”. Por isso, quando hoje estudamos as religiões do passado, não procuramos apenas conhecer melhor as nossas longínquas raízes culturais, antes lidamos com qualquer coisa ainda presente – embora de forma parcelar e, por vezes, subjetiva – na nossa atual vivência como Homo religiosus que (queiramos ou não...) todos somos.
Daí, o inusitado e sempre crescente interesse que desperta, no grande público, a abordagem destes temas. Daí, o esperado êxito da futura exposição promovida pelo Museu Nacional de Arqueologia, no virar dos milénios, sobre as Religiões da Lusitânia.
Hispania Aeterna e Roma Aeterna. Duas tradições que convergem e se sincretizam por força da Pax Romana. Mas que o Oriente, donde sempre vem a Luz, acaba por “converter”... E o “aglomerado” vai-se avolumando, encobrindo ou evidenciando aqui e além alguns dos seus componentes, mas nada perdendo, tudo armazenando. São forças secretas da Natureza, numina tutelares, divindades várias, heróis deificados, práticas rituais e mágicas, a Vida e a Morte. São textos obscuros, que é preciso decifrar para ler, são objetos e imagens de um passado duas vezes milenar que, após descodificados, se vêm a revelar bem mais presentes do que suporíamos. Será o Tempo uma quimera?
Um nome, por detrás de tudo isto: Leite de Vasconcellos, o grande estudioso que, há cem anos, pela primeira vez estudou exaustiva e metodicamente as Religiões da Lusitânia. Uma homenagem? Sem dúvida! Mas, certamente, muito mais do que isso...