«Clamor da Maré Cheia» de Cristina Rodrigues

                                                                

A segunda instalação de “Clamor da Maré Cheia”, exposição polinuclear da artista plástica Cristina Rodrigues, é apresentada no Jardim do Museu Nacional de Arqueologia – Mosteiro dos Jerónimos, dia 14 de julho, às 20h.

Após ter inaugurado o seu mais recente projeto no cais da Alfândega de Vila do Conde, a artista Cristina Rodrigues escolhe agora o Jardim do Museu Nacional de ArqueologiaMosteiro dos Jerónimos para a instalação da segunda das quatro peças que integram a narrativa que dá corpo à composição “Clamor da Maré Cheia”.

“Clamor da Maré Cheia” é uma exposição polinuclear, composta por quatro instalações de arte contemporânea, concebidas em sintonia com o lugar de exibição. Uma narrativa que exalta o Homem como um ser curioso e trabalhador, capaz de enfrentar grandes adversidades por caminhos desconhecidos. As esculturas que integram a obra - quase cinco dezenas de peças que utilizam o ferro e redes de pesca como matéria de trabalho -, são fruto de uma reflexão da autora sobre a odisseia humana.

A instalação de Lisboa reúne 12 esculturas de barcos e redes de pesca, que representam o Homem como explorador que criou um objeto capaz de atravessar o mar rumo ao desconhecido. 

Foi do Rio Tejo, em Belém, que os portugueses partiram em direção ao mundo e este é o mote para a segunda fase da conceção da artista. Vila do Conde, cidade conhecida pelos seus estaleiros navais, recebeu, no seu cais ribeirinho, a primeira das instalações desta composição de Cristina Rodrigues.

O Mosteiro de Santo André de Ancede, em Baião, um local onde sempre se celebrou o culto do espírito e o Fórum Cultural de Ermesinde, cidade fundada essencialmente para ser uma terra de trabalho, são os restantes dos locais escolhidos para receber as restantes instalações de “Clamor da Maré Cheia” que enquadram e completam esta narrativa de Cristina Rodrigues, com apresentações em 25 de julho e 31 de julho respetivamente.

 

SIC | Primeiro Jornal  Cristina Rodrigues expõe "Clamor da Maré Cheia" pelo país e faz uma paragem em Lisboa

RTP 2 | Jornal 2 • Clamor da Maré Cheia de Cristina Rodrigues [15.07.2021] 

 


                                                                 





ÍDOLOS. MIRADAS MILENARIAS | IDOLS. MILLENNIAL GAZES

 

O Museu Nacional de Arqueologia apresenta a exposição temporária Ídolos. Olhares Milenares / Ídolos. Miradas Milenarias, mostra de âmbito internacional inscrita no espírito da Presidência Portuguesa da União Europeia que decorre no primeiro semestre do corrente ano.

A partir do património arqueológico de Portugal e Espanha, datado do 6.º ao 3.º milénio a.C., esta exposição – comissariada por Primitiva Bueno Ramírez e Jorge A. Soler Díaz; com projeto museológico e museográfico de Angel Rocamora e conceção gráfica de Luis Sanz – mostra-nos, de forma muito detalhada, como as comunidades agro-pastoris dos Centro/Sul de Portugal e Espanha, com recurso a diferentes materiais e em linguagens codi­ficadas, legadas entre muitas gerações, representaram gráfica e artisticamente o corpo humano, recordando antepassados, criando linhagens e imaginando divindades. Embora com especificidades regionais, estas mani­festações artísticas, culturais e simbólicas revelam inegáveis afinidades entre si, ilustrando assim, desde tempos milenares, o que é diferente e comum numa Europa hoje unida.

A exposição Ídolos. Miradas Milenarias, no seu título original, organizada pela Fundación de la Comunidad Valen­ciana/MARQ (Museo Arqueológico de Alicante) em colaboração com o Museo Arqueológico Regional de la Comunidad de Madrid (MAR), foi apresentada no início de 2020 no Museu alicantino. Reabriu ao público no dia 28 de julho de 2020, em Alcalá de Henares, onde esteve patente até ao passado dia 10 de janeiro.

Para essa mostra, o MNA cedeu então 37 importantes bens culturais do seu acervo – como diversos ídolos, báculos, placas de xisto e vasos cerâmicos, entre outros. Alguns deles assumiram na exposição particular destaque museográfico, que contou ainda com vários outros bens oriundos de uma outra coleção nacional.

Na sua primeira exibição, em Alicante, a exposição foi afetada pelo primeiro confinamento ditado pela pandemia de COVID-19 e, depois, em Madrid, pelas restrições sanitárias impostas durante o «desconfinamento», agravadas pelos efeitos da tempestade «Filomena», que provocou o pior nevão dos últimos 50 anos. Ou seja, tudo fatores que impediram o público de visitar tão magnífica e desejada exposição, facto que sublinha a importância da iniciativa da Direção-Geral Património Cultural e do Museu Nacional de Arqueologia no sentido de alargar a sua fruição pública através da apresentação em Lisboa.

                                                          

©MNA. DGPC/ADF. José Paulo Ruas, 2021

Naturalmente que a exposição que agora se mostra em Lisboa não é uma simples réplica da anteriormente apresentada em Espanha. Com efeito, mantendo o conceito, as linhas de programação originais a imagem, e mostrando importantes peças das coleções de 16 museus de Espanha e de um colecionador privado, no MNA reforça-se a presença de património oriundo das coleções nacionais de 11 Museus e instituições, provenientes de sítios arqueológicos localizados em 35 municípios portugueses, distribuídos por 10 distritos. Com esta estratégia de reprogramação expositiva que os Comissários Científicos Primitiva Bueno Ra­mírez e Jorge A. Soler Díaz aceitaram de bom grado realizar completa-se o tema e alarga-se sob todos os pontos de vista, a representatividade nacional criando novos motivos de interesse. O recurso a desenhos antigos dos materiais arqueológicos e das escavações realizadas que se guardam no Arquivo Histórico do Museu é também uma inovação nesta apresentação. Com este exercício pretendemos reforçar a nossa ligação às comunidades, onde os sítios arqueológicos de onde são provenientes os bens culturais expostos se localizam.

                                                       

©MNA. DGPC/ADF. José Paulo Ruas, 2021

Todo este património arqueológico é testemunho da intensa ocupação pelo Homem na Pré-História de um vasto território hoje distribuído por Portugal e Espanha.

No que a Portugal diz respeito, a totalidade dos bens culturais que o Museu Nacional de Arqueologia apresenta nesta exposição temporária integra o singular, e por vezes único, acervo artefactual que explica ao público a relação das sociedades agro-pastoris do 4.º e 3.º milénio do Centro/Sul de Portugal com um mundo mágico-sim­bólico. O tratamento museológico do tema, como outros realizados no passado, constituirá certamente um inegável contributo e um impulso para, de futuro, integrar esse mesmo conjunto de bens numa futura exposição permanente do museu, materializando desse modo uma antiga aspiração de toda a comunidade.

                                                       

©MNA. DGPC/ADF. José Paulo Ruas, 2021

Para o catálogo da exposição de Lisboa foram expressamente convidados vários investigadores portugueses, especialistas em diferentes temas e cronologias, representando várias Universidades e unidades de investigação. A Imprensa Nacional, ligada ao MNA desde 1895, é a parceira óbvia para a edição do catálogo da exposição – Ídolos: Olhares Milenares. Portugal: O Estado da Arte –, cuja perenidade fará, por certo, com que o tema permaneça muito para além das datas desta apresentação.

Um importante conjunto de mecenas foi reunido e associado ao projeto, também eles articulando Portugal e Es­panha. Trata-se da Fundação Millennium BCP, da Ferrovial Serviços, do El Corte Inglés, da cadeia Vila Galé Hotéis, dos Pastéis de Belém e, claro, a Lusitânia Seguros, mecenas institucional da Direcção-Geral do Património Cultu­ral. Considerando a relevância temática da exposição e a oportunidade do mesmo, foi inscrita na programação da Mostra Espanha 2021, que também nos concedeu o seu apoio.

Uma iniciativa desta natureza e magnitude baseia-se na confiança. Essa é a palavra que tem norteado a nossa relação com os responsáveis da Fundación CV MARQ, designadamente com o seu diretor-executivo Josep Al­bert Cortés i Garrido, o Museu Arqueológico, a coordenadora técnica da exposição Teresa Ximénez e Yolanda Martínez, da empresa ANTRA – Gestión Integral de Construcción. Também com os Comissários Científicos e todos os Diretores e equipas técnicas de museus portugueses e espanhóis envolvidos e, ainda, com os autores portugueses convidados a escrever para o catálogo editado pela Imprensa Nacional.

                                                        

©MNA. DGPC/ADF. José Paulo Ruas, 2021

A exposição Ídolos. Olhares Milenares é exemplo de uma parceria virtuosa entre instituições que fazem convergir os meios existentes para projetos comuns, de modo a garantir, com espírito de partilha, uma programação de qualidade passível de ser apresentada em diferentes Museus, reforçando, em tempos difíceis e incertos, a ligação entre estes e a sociedade e, em especial, afirmando a função social e cultural do Museu Nacional de Arqueologia.

A terminar, cumpre agradecer a todos os que estiveram envolvidos direta e indiretamente neste magnífico projeto.

ANTÓNIO CARVALHO

Diretor do Museu Nacional de Arqueologia


     

 ©MNA/Biblioteca/Álbuns desenhos [Francisco Valença | Guilherme Gameiro | J. Saavedra Machado]


DADOS GERAIS DA EXPOSIÇÃO

 

Distância percorrida pela expo: 1.091 km de Alicante-Madrid-Lisboa

Total de Bens Culturais na Exposição: 270

Total de Entidades Emprestadoras: 28

 

Total de Bens Culturais de Entidades Portuguesas: 115

Total de Entidades Portuguesas: 11

  1. Museu Nacional de Arqueologia76 Bens culturais;
  2. ERA - Arqueologia, S.A. – 15 Bens culturais;
  3. Museu Geológico – 6 Bens culturais;
  4. Direção-Regional de Cultura do Alentejo – 4 Bens culturais;
  5. Museu Municipal Leonel Trindade | Torres Vedras – 4 Bens culturais;
  6. Museu Arqueológico do Carmo – 3 Bens culturais;
  7. Museu da Vila | Cascais – 2 Bens culturais;
  8. Museu de Portimão – 2 Bens culturais;
  9. MAEDS | Museu de Arqueologia e Etnologia do Distrito de Setúbal – 1 Bem cultural;
  10. UNIARQ - Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa – 1 Bem cultural;
  11. Museu Nacional de História Natural e da Ciência 1 Bem cultural;

 

Distritos Portugueses representados na Exposição: 10

  1. Évora – 45 Bens culturais;
  2. Lisboa – 38 Bens culturais;
  3. Portalegre – 11 Bens culturais;
  4. Faro – 6 Bens culturais;
  5. Santarem – 5 Bens culturais;
  6. Viana do Castelo – 3 Bens culturais;
  7. Beja – 2 Bens culturais;
  8. Setubal 2 Bens culturais;
  9. Castelo Branco 1 Bem cultural;
  10. Leiria – 1 Bem cultural.

 

Concelhos Portugueses representados na Exposição: 35

  1. Reguengos de Monsaraz – 33 Bens culturais;
  2. Torres Vedras 15 Bens culturais;
  3. Amadora 8 Bens culturais;
  4. Montemor-o-Novo – 6 Bens culturais;
  5. Sintra – 6 Bens culturais;
  6. Alter do Chão – 4 Bens culturais;
  7. Azambuja – 3 Bens culturais;
  8. Loures – 3 Bens culturais;
  9. Mora 3 Bens culturais;
  10. Alcanena – 2 Bens culturais;
  11. Cascais – 2 Bens culturais;
  12. Marvão – 2 Bens culturais;
  13. Ponte de Sor – 2 Bens culturais;
  14. Portimão – 2 Bens culturais;
  15. Torres Novas – 2 Bens culturais;
  16. Vila Nova de Cerveira – 2 Bens culturais;
  17. Aljustrel 1 Bem cultural;
  18. Arraiolos – 1 Bem cultural;
  19. Arronches – 1 Bem cultural;
  20. Bombarral – 1 Bem cultural;
  21. Crato – 1 Bem cultural;
  22. Estremoz – 1 Bem cultural;
  23. Évora 1 Bem cultural;
  24. Idanha-a-Nova – 1 Bem cultural;
  25. Lagoa 1 Bem cultural;
  26. Lisboa – 1 Bem cultural;
  27. Mértola 1 Bem cultural;
  28. Monforte – 1 Bem cultural;
  29. Olhão – 1 Bem cultural;
  30. Paredes de Coura – 1 Bem cultural;
  31. Salvaterra de Magos – 1 Bem cultural;
  32. Sesimbra – 1 Bem cultural;
  33. Setúbal – 1 Bem cultural;
  34. Silves – 1 Bem cultural;
  35. Vila Real de Santo António – 1 Bem cultural;

 

      

©MNA. DGPC/ADF. José Paulo Ruas, 2021 [989.28.1 | 8594 | 9111 | 2002.184.3]

 

N.º de Bens Culturais de Entidades Portuguesas alvo de restauro por parte do Laboratório de Conservação e Restauro (LCR) do MNA: 24

Total Entidades Portuguesas que tiveram os seus BC restaurados no LCR do MNA: 5

Total de Bens Culturais de Entidades Espanholas: 155

Total de Entidades Espanholas: 17

  1. Museo Arqueológico Nacional de España (MAN) – 55 Bens culturais;
  2. Museu de Prehistòria de València – 21 Bens culturais;
  3. Museo Arqueológico Provincial de Badajoz 16 Bens culturais;
  4. Museo Arqueológico de Alicante (MARQ) 13 Bens culturais;
  5. Museo de Huelva – 12 Bens culturais;
  6. Museo Arqueológico Camil Visedo Moltó de Alcoy 9 Bens culturais;
  7. Arqueológico Regional de Madrid (MAR) – 7 Bens culturais;
  8. Museo de Almeria – 5 Bens culturais;
  9. Museo de Jaén – 4 Bens culturais;
  10. Museo Arqueológico Municipal de Lorca – 4 Bens culturais;
  11. Museo Arqueológico y Etnológico de Córdoba – 2 Bens culturais;
  12. Museo de Valladolid 2 Bens culturais;
  13. Museo de Málaga – 1 Bem cultural;
  14. Museo de La Carolina | Jaén – 1 Bem cultural;
  15. Museu de Gavà | Barcelona – 1 Bem cultural;
  16. Museo de Bellas Artes de Castellón – 1 Bem cultural;
  17. Colecção Particular | Badajoz1 Bem cultural;

 

Total de comunidades autónomas: 7

  1. Comunidad de Madrid – 62 Bens culturais;
  2. Comunidad Valenciana – 44 Bens culturais;
  3. Andalucía 25 Bens culturais;
  4. Extremadura 17 Bens culturais;
  5. Región de Murcia – 4 Bens culturais;
  6. Castilla y Léon 2 Bens culturais;
  7. Cataluña – 1 Bens culturais;

 

Total de ayuntamientos: 17

  1. Ayuntamento de Madrid 55 Bens culturais;
  2. Ayuntamento de Valencia – 21 Bens culturais;
  3. Ayuntamento de Badajoz – 16 Bens culturais;
  4. Ayuntamento de Alicante – 13 Bens culturais;
  5. Ayuntamento de Huelva 12 Bens culturais;
  6. Ayuntamento de Alcoy – 9 Bens culturais;
  7. Ayuntamento de Alcalá de Henares – 7 Bens culturais;
  8. Ayuntamento de Almeria 5 Bens culturais;
  9. Ayuntamento de Jaén – 4 Bens culturais;
  10. Ayuntamento de Lorca – 4 Bens culturais;
  11. Ayuntamento de Córdoba 2 Bens culturais;
  12. Ayuntamento de Valladolid – 2 Bens culturais;
  13. Ayuntamento de Málaga 1 Bem cultural;
  14. Ayuntamento de La Carolina – 1 Bem cultural;
  15. Ayuntamento de Llerena – 1 Bem cultural;
  16. Ayuntamento de Gavà 1 Bem cultural;
  17. Ayuntamento de Castellón – 1 Bem cultural;

 

DADOS COLEÇÕES DO MNA

Bens Culturais das coleções do MNA na exposição: 76

BIN’s/”Tesouros Nacionais” na exposição: 21

Total de tipologias de materiais: 40

Total de tipologias de matérias-primas: 13

Total de distritos: 10

Total de concelhos: 27

Total de Bens Culturais restaurados no LCR do MNA para a exposição: 11

 

©MNA

 





Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa.



Entrar num bosque, rico de árvores seculares e gigantescas, onde a grandeza dos vegetais causa espanto, e as próprias sombras infundem mistério, era para os antigos (...) fonte de sentimento religioso.

 

Leite de Vasconcellos, 1905, p.108 


 

O fenómeno religioso, na sua historicidade, tem sido alvo de múltiplas abordagens interpretativas. Recorde-se Frazer e a abrangência comparativista; Lévi-Strauss e os arquétipos estruturalistas; Dumézil e os esquemas funcionalistas; Eliade e a universalidade do simbólico. Porém, nada mais genial do que a breve metáfora engendrada pelo inglês Murray, desde logo adotada e desenvolvida por Dodds no seu irreverente estudo sobre a cultura grega e o irracional: o fenómeno religioso revela-se, em todas as épocas e regiões, como um “conglomerado herdado”. E comenta Dodds: “A metáfora geológica é feliz porque o crescimento religioso é (...) a aglomeração mais do que a substituição”. Por isso, quando hoje estudamos as religiões do passado, não procuramos apenas conhecer melhor as nossas longínquas raízes culturais, antes lidamos com qualquer coisa ainda presente – embora de forma parcelar e, por vezes, subjetiva – na nossa atual vivência como Homo religiosus que (queiramos ou não...) todos somos.


Daí, o inusitado e sempre crescente interesse que desperta, no grande público, a abordagem destes temas. Daí, o esperado êxito da [...] exposição promovida pelo Museu Nacional de Arqueologia, no virar dos milénios, sobre as Religiões da Lusitânia.


Hispania Aeterna e Roma Aeterna. Duas tradições que convergem e se sincretizam por força da Pax Romana. Mas que o Oriente, donde sempre vem a Luz, acaba por “converter”... E o “aglomerado” vai-se avolumando, encobrindo ou evidenciando aqui e além alguns dos seus componentes, mas nada perdendo, tudo armazenando. São forças secretas da Natureza, numina tutelares, divindades várias, heróis deificados, práticas rituais e mágicas, a Vida e a Morte. São textos obscuros, que é preciso decifrar para ler, são objetos e imagens de um passado duas vezes milenar que, após descodificados, se vêm a revelar bem mais presentes do que suporíamos. Será o Tempo uma quimera?


Um nome, por detrás de tudo isto: Leite de Vasconcellos, o grande investigador que, há cem anos, pela primeira vez estudou exaustiva e metodicamente as Religiões da Lusitânia. Uma homenagem? Sem dúvida! Mas, certamente, muito mais do que isso...

José Cardim Ribeiro


 


Data de abertura ao público: 27 de junho de 2002Local no MNA: Galeria Oriental | Organização institucional: Museu Nacional de Arqueologia | Comissariado científico: José Cardim Ribeiro | Tipo de exposição: síntese nacional


 





A MULHER REBELDE NA MITOLOGIA, NA HISTÓRIA E NO DRAMA


Esta exposição é dedicada a Melina Mercouri [1920-1994], um símbolo da luta das mulheres do século XX, a fim de assegurarem e definirem a sua posição na sociedade contemporânea.

Foto © Everett Collection


É o terceiro ano que Atenas está presente, com a Exposição “Mulheres Rebeldes na Mitologia, na História e no Drama”, na “Capital Europeia da Cultura”, desta vez em Lisboa.

Esta exposição, resume o espírito da mulher rebelde desde a antiguidade, passando por Bizâncio, até aos nossos dias. Os vasos, as figuras e os trajes, foram feitos especialmente para este efeito e são apresentados em “Lisboa 1994” pela cidade de Atenas, em homenagem àquelas destacadas personalidades, assim como ao espírito das Capitais culturais da Europa, instituição fundada na Grécia por Melina Mercouri, o símbolo da mulher rebelde.

[in texto de apresentação]

Leonidas Kouris

Presidente da Câmara Municipal de Atenas


 

A MULHER REBELDE NA MITOLOGIA, NA HISTÓRIA E NO DRAMA

 

As belas artes, o drama, a música, as ciências, as manifestações culturais e os festivais são expressão de cultura. Porém, o sentido da cultura é muito mais amplo e profundo. A cultura inclui o passado, constrói o presente e forma o futuro. Curiosidade, desejo, pensamento, raciocínio, consciência, vontade, energia criativa e desenvolvimento é o que o Homem tem adquirido através dos séculos.

A cultura existe em todas as nossas actividades. É a Pedia, a palavra grega para o conhecimento e a atitude perante a vida. É um modo de estar. A cultura encontra-se em tudo, pois está presente na nossa vida política social e económica.

Com este raciocínio dinâmico, a Instituição “Capitais Culturais da Europa” tem uma mensagem para todos. É um local de encontro para conversa, troca de impressões e comunicação, um local onde artistas, intelectuais e cientistas concentram o seu trabalho e esforço, com o fim de criar uma mentalidade europeia. É um instrumento que permite aos cidadãos europeus serem mais que espectadores, podendo participar, compreender, sentir, definir e formar novas relações e ideias no âmbito da Europa contemporânea, com todas as suas tradicionais singularidades e excentricidades.

O Centro Cultural do Município de Atenas considera sua obrigação e privilégio prestar assistência a qualquer “Capital Cultural da Europa” e encorajar a promoção cultural numa base pan-europeia.

É por isso que enviamos a “Lisboa ’94” uma exposição intitulada “Mulheres Rebeldes na Mitologia, na História e no Drama”. Esta exposição tem um tema universal, contemporâneo. As personalidades dessas mulheres são eternas e põem a mesma questão, isto é o problema da mulher que encara a sua posição, a sua classe, o seu ambiente, no conflito entre dois mundos de justiça diferentes. Recusa-se a aceitar a sua posição passiva tradicional, e desenvolve todas as forças da sua inteligência para conseguir alcançar os seus objectivos, e justificar as suas acções para além da ordem social existente.

A exposição divide-se em quatro secções:

A primeira, apresenta as mulheres da Mitologia e da História gregas como foram descritas através da iconografia Clássica Antiga, das Fontes Mitológicas da Creta Minoense, de Micenas, da Guerra de Troia, do Ciclo de Tebas e da Expedição Argonáutica. Também inclui representações de figuras como Ariadne, Helena de Troia, Cassandra, Antígona, Medeia e outras. Mulheres históricas da Antiguidade incluem igualmente a poetisa Safo e a companheira de Péricles, Aspásia. Todas elas são descritas pela arte e a literatura clássicas e representadas em pinturas sobre vasos, esculturas, etc. As peças dispostas são ordenadas de modo a contarem a história de cada mulher, tal como foi interpretada pelos artistas da Antiguidade Clássica.

A segunda secção refere-se ás mesmas mulheres dos tempos antigos que aparecem na primeira secção, Porém aqui são descritas por artistas da Idade Média, da Renascença e dos nossos tempos. A grande inteligência daquelas mulheres é ilustrada através dos séculos pela arte e a literatura e apresentadas em trajes da época.

Na terceira secção introduzem-se mulheres da era cristã, de Bizâncio e de períodos posteriores. Santa Helena com o Santo Lenho, Santa Catarina com a roda do Martírio, Hipatia com o Livro do Conhecimento, a Imperatriz Teodora com a Esfera e o Ceptro, Cassiani com o Hábito de Freira e a Imperatriz Irene com um Ícone. Todas elas se tornaram símbolos de Bizâncio.

Por fim [quarta], descrevem-se mulheres da História Grega mais recente, incluindo Bubulina, que combateu na Guerra Grega da Independência, Mandó Mavrogenos e outras, culminando com Melina Mercouri. Estas mulheres tornaram-se símbolos da luta da mulher em todos os aspetos, a fim de assegurarem e definirem a sua posição na sociedade contemporânea

 

Spyros Mercouris

Membro do Comité de Direcção da Capital Cultural da Europa

 


Pormenor de uma ânfora com figuras negras, à volta de 540 a.C.


Datas: 10 de novembro de 1994 a 18 de dezembro de 1994 | Local no MNA: Torre Oca | Organização institucional: Museu Nacional de Arqueologia; Comité Diretivo para "Lisboa '94" do Centro Cultural do Município de Atenas | Comissariado científico: Elizabeth Spathari | Tipo de exposição: Intercâmbio internacional